terça-feira, 23 de agosto de 2011

PISCOPATA AMERICANO - SUGESTÃO DE FILME



CLIQUE NO LINK ABAIXO PARA ASSISTIR UMA DAS MELHORES CENAS DO FILME...

http://youtu.be/XsT9skf5y8s

“Psicopata Americano” (“American Psycho”) É fácil as pessoas falarem mal de “Psicopata Americano”. Vários fatores contribuem para isso. Veja alguns: É baseado em um dos livros mais polêmicos dos EUA. Contém muita violência e sexo, apesar de não serem nem um pouco gratuitos. Bastam apenas estes dois e você já terá uma legião de cinéfilos que odiarão o filme. Mas é ainda mais fácil falar mal se você nunca teve a oportunidade de ler a obra ou nem mesmo já ouviu falar da estória, que é bastante complexa por sinal. A verdade é que “Psicopata Americano” não é um filme para qualquer um assistir, e isso você logo percebe ao longo da trama. O título pode até enganar alguns cinéfilos afoitos que vão com sede ao pote esperando um filme na linha de “Sev7n” (um dos melhores trabalhos de David Fincher ao lado de “Clube da Luta”...), já que envolve a palavra psicopata que, para muitos, já remete à assassino serial. Nada a ver. O filme não se utiliza de fórmula tão desgastada (o que teve de variações de “Sev7n” é quase que incontável...). Para mim, e para muitos outros cinéfilos de bom gosto, “Psicopata Americano” já se tornou cult, e deve ser apreciado.

domingo, 24 de julho de 2011

Knights Templar 2083 - Anders Behring Breivik - Justificativa das atrocidades

ANDERS BEHRING BREIVIK - O ASSASSINO DE OSLO




Antes de executar 92 pessoas em Oslo, o assassino norueguês Anders Behring Breivik - que confessou ter planejado o massacre à polícia norueguesa na tarde deste sábado - enviou a todos os seus contatos na rede social Facebook (cerca de 7 000) uma mensagem contendo um vídeo e um manifesto de 1500 páginas. Segundo o jornal Afterposten, policiais que acompanharam o depoimento de Breivik confirmam se tratar de um texto de autoria do assassino. Fotos e um vídeo acompavam o documento.

O documento é um compêndio caudaloso de reflexões políticas, filosóficas, religiosas e sociológicas, um diário do período em que os atentados foram planejados e ainda uma fonte de informações sobre a vida privada de Breivik, que emerge das páginas como um jovem perturbado e tomado por delírios de grandeza.

"Sempre levarei comigo a certeza de ser um campeão do conservadorismo cultural, talvez o maior da Europa desde 1950", diz o atirador a certa altura. "Sou um dos muitos destruidores do marxismo e, assim, um herói da Europa, salvador de nosso povo e da cristandade. Um exemplo perfeito que deveria ser copiado, aplaudido e celebrado. Saberei que fiz tudo para deter o genocídio cultural e demográfico dos europeus e reverter a islamisação da Europa."

Templários - Breivik, não assina o documento com seu próprio nome, mas com uma versão anglicizada dele, Andrew Berwick. Ele afirma fazer parte de uma organização secreta que se espelha na dos antigos cavaleiros medievais, voltada a proteger os cristãos que faziam a peregrinação a Jerusalém. Esses novos templários almejariam formar "o principal movimento revolucionário conservador da Europa Ocidental".

Uma extensa seção no final do manifesto de Breivik, batizada de "Diário de um Cavaleiro Templário", explica por que ele se filiou à tal ordem secreta (supostamente numa viagem à Inglaterra) depois de desligar-se do Partido Progressista norueguês, no qual militou por 10 anos: "Perdi a fé na luta democrática para salvar a Europa da islamização". Mas esse segmento da volumosa "Declaração" de Breivik é, antes de mais nada, um relato detalhado de todo o planejamento dos atentados que o levaram a matar 92 pessoas.

Breivik conta como criou um esconderijo na floresta para armazenar produtos químicos e fazer testes de fabricação de explosivos. Relata viagens para tentar adquirir armamentos. Explica como financiou a compra de todos os equipamentos para os atentados (ele afirma ter gasto exatos 310 000 euros de suas próprias economias). Registra seus esforços para escapar do radar das autoridades. E antecipa o momento da chacina: "Tudo acontecerá em meio à ação de esteroides e efedrina, que aumentarão minha agressividade, desempenho físico e foco mental em até 60% - ou possivelmente 100%. Além disso, colocarei meu iPod no volume máximo para afastar o medo, se necessário".

Breivik dá a entender que seu plano incluia quatro fases - as duas últimas, aparentemente, não puderam ser realizadas.

Matéria completa disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/assassino-de-oslo-deixou-manifesto-de-1500-paginas-em-que-se-ve-como-martir

domingo, 3 de julho de 2011

LINKS RELACIONADOS COM ESTUDOS DE PSICOPATIA FORENSE

Os links a seguir são apenas para ilustrar a cobertura dada ao tema da psicopatia na mídia, e são estritamente por interesse. Nem Grupo de Pesquisa em Darkstone, nem Dr. Hare, endossa o conteúdo de qualquer um dos artigos.


Evidência fMRI Usado na condenação Murder : Um artigo de Greg Miller para Ciência Insider , 23 de novembro de 2009.


Nem todo mundo é um psicopata criminal : Uma entrevista recente a um jornal brasileiro.


I, Psicopata : Um documentário seguintes suspeita psicopata Sam Vaknin em uma jornada para o diagnóstico.


Almas sofredoras: A busca pelas raízes da psicopatia : Um artigo de John Seabrook para The New Yorker , 10 de novembro de 2008.


Fraude artigo Capa de Revista : Entrevista com Dr. Robert D. Hare e Paul Dr. Babiak: Estes homens sabem "Snakes em Suits ': Identificar Golpistas Psychopathic por Dick Carozza, julho / agosto de 2008.


Violentos, anti-social, além da redenção? : Um artigo de Peter Aldhous para NewScientist.com, 11 de abril de 2007.


Dr. Robert Hare Homenageado : Um artigo de CSC InfoNet, 09 de janeiro de 2007.


Gaze do Predator : Um artigo de Bruce Bower da Science News Online, 9 de dezembro de 2006.


CBS News 11 Looks dentro da mente de um psicopata : Uma Perspectiva do FBI sobre psicopatia, 19 de junho de 2006. Leia o artigo e ver o vídeo on-line.


Como identificar os psicopatas do escritório : Um artigo por Lianne George, de Macleans.ca, 29 de maio de 2006.


Como o mal permeia o ambiente de trabalho : Globe and Mail por artigo Harvey Schachter, 07 junho de 2006.


O Depressivo eo Psicopata: Até que enfim sabemos por que os assassinos de Columbine fez isso : Um artigo de Dave Cullen, 20 de abril de 2004. * NOTA: Alguns dos trabalhos Dr. Hare foi usado pelos investigadores e do escritor, mas o Dr. Hare não estava diretamente envolvido nas avaliações psicológicas.


"Um teste para Evil" Transcrição: domingo transcrição programa de TV (já não online).


Um teste para Evil: um artigo detalhando o programa de TV no domingo PCL-R e sua utilização na Nova Zelândia (não online).


Psicopatas Spotting at Work : artigo da BBC, 01 de dezembro de 2004.


Cuidado: Perigo no Trabalho: um artigo do The Guardian sobre psicopatas local de trabalho, 27 de setembro de 2004 (não online).


Psicopatas corporativos em geral : artigo da CNN.com, 3 de setembro de 2004.


Como identificar um psicopata no trabalho : BBC News artigo, 19 agosto de 2004.


Você está sentado ao lado do psycho escritório? : The Daily Mail, 19 de agosto de 2004.


ABC Radio : Ver a transcrição de "Psicopatas em Suits". Produzido por Ian Walker. Foi ao ar 18 de julho de 2004.


Dez minutos de teste capaz de detectar os assassinos : BBC News artigo, 28 de maio de 2004.


USC estudo conclui fiação defeituosa em psicopatas . Science Daily, 11 de março de 2004.


É seu chefe um psicopata corporativo? : BBC News artigo, 13 de janeiro de 2004.


Nadar com Psicopatas: um artigo on-line por Patrick McGee do PR Canadá (não online)


"Hilfe, mein spinnt Chef!" : Um artigo recente da Suíça (18 de março de 2004) por Von Beate Kitti no B-Scan.


A Corporação : Um documentário premiado que olha para a Corporação como um psicopata.


Acumulando dados sobre os psicopatas : um recente artigo do Toronto Star.


Tudo sobre Dr. Robert Hare : perfil do autor Katherine Ramsland de Dr. Hare, no site do Crime Library.


Serpentes em ternos : um artigo on-line por Giles Whittell do London Times descrevendo o trabalho do Dr. Hare e Dr. Babiak. Nota: score "Dave" foi listado como 19 para o PCL-R, mas a pontuação foi de 29 reais para o PCL-R, e 19 (de 24) para o PCL: SV.


Um teste para o chefe: se marcarem 16 pontos que você deve encontrar outro emprego : um segundo artigo on-line por Giles Wittell.


... E um teste para você : por Giles Whittell.


Pistas para a Mente de um assassino : "As mudanças no próprio cérebro poderia explicar por que certas pessoas são mais propensas a matar do que outros, dizem os cientistas." Este artigo dá um vislumbre sobre o que foi coberto na nova série de televisão BBC, Mente de um Assassino.


Maldade não deve ser tratado como uma doença : The Daily Telegraph, 25 de agosto de 2002.


Sábado Recurso Revista Noite : Dr. Hare foi destaque na reportagem de capa do 08 de setembro de 2001 questão da revista Noite sábado. Originalmente publicado online na revista Noite sábado, Robert Hercz nos deu permissão para publicá-la no nosso site.


Ver o mal : CBCNews.com, 16 de janeiro de 2001.


Equinox : Na quinta-feira, 7 de dezembro, 2000, Canal 4 do Reino Unido foi ao ar um programa sobre psicopatas. Dr. Hare foi um dos vários especialistas destaque na mostra. O programa não está mais na página web Equinox, mas não recebeu permissão para publicar a transcrição completa.


Outubro Hare Festschrift um sucesso! Uma revisão da conferência e recepção do jantar.


O Shooter Escola: O Federal Bureau of Investigation lançado em 2000 os resultados de um estudo abrangente dois anos, intitulado The Shooter Escola: Uma Perspectiva Avaliação da Ameaça . Link direto para PDF aqui.


Compreender o Con: Psicopata especialista Prof Robert Hare é um homem procurado em todo o mundo


Dr. Hare contribuição para Frontline relatório sobre prisioneiro condenado à morte, Clifford Boggess


Estudos mostram que os cérebros dos psicopatas "responder de forma anormal a emoção facial Do Número de Crime, 13 (1), 2007.


Citável: Mary Ellen O'Toole Do Número de Crime, 13 (1), 2007.


Psicopatas menos influenciado pelo emocional "distrações" A partir do Número de Crime, 13 (1), 2007.


Dicas de ressonância magnética na anormalidade em crianças com TDAH psicopata Do Número de Crime, 13 (1), 2007.


Jogo oferece pistas sobre o cérebro psicopata Do Número de Crime, 13 (1), 2007.


Estudos de ondas cerebrais implicam anomalias do sistema paralímbica no comportamento psicopata Do Número de Crime, 13 (1), 2007.


Os olhos podem oferecer uma janela sobre as origens de psicopatas Do Número de Crime, 12 (4), de 2006.


São psicopatas mal - ou a aprendizagem deficiente? A partir do Número de Crime, 12 (4), de 2006.


Em psicopatas, QI mais elevado se correlaciona com maior gravidade Do Número de Crime, 12 (2), 2006.


Psicopatas: novas evidências de anormalidades cerebrais Do Número de Crime, 10 (3), de 2004.


Cérebros fazem Psicopatas "não conseguem entender o abstrato? A partir do Número de Crime, 10 (2), 2004.


Cérebros psicopata: ressonância magnética mostraram anormalidades mais Do Número de Crime, 10 (1), 2004.


Estudo com gêmeos traços raízes do comportamento psicopata Do Número de Crime, 10 (1), 2004.


Dopamina papel da serotonina, visto em psicopatia agressiva Do Número de Crime, 9 (3), de 2003.


Scans oferecer vislumbre normal, cérebros psicopata Do Número de Crime, 8 (1), 2002.


São crianças psicopata "cego" a medo, expressões tristes? A partir do Número de Crime, 7 (3), de 2001.


Padrões de imparcialidade pode apontar para diferenças cerebrais em psicopatas, pedófilos Do Número de Crime, 7 (2), 2001.


Estudo finlandês: o tamanho do hipocampo reduzido detectado em psicopatas Do Número de Crime, 7 (2), 2001.


Testes de ondas cerebrais revelam anormalidades em psicopatia, transtorno de conduta Do Número de Crime, 5 (4), de 1999.


Testar teorias sobre as raízes da psicopatia Do Número de Crime, 5 (2), 1999.


Pode "psicopatas incipiente" ser vistos na infância? A partir do Número de Crime, três (3), de 1997.


Psicopatas: resultados apontam para diferenças cerebrais Do Número de Crime, 3 (2), 1997.


Cérebro Psychopathic: Novas Descobertas Do Número de Crime, 1 (4), de 1995.


É "medo de processamento de imagem" defeituosa em psicopatas? A partir do Número de Crime, 1 (1-2), 1995.


Revisão do livro do Dr. Hare Sem Consciência (PDF download)


Psicopatia e Consumismo : uma entrevista com Dr. ET Barker.


Assaltado pela realidade : por Eugene Methvin, Política de Avaliação , 1997. Para uma análise interessante do papel potencial da PCL-R na redução da população carcerária consulte este artigo.


Psicopatia e transtorno de personalidade anti-social: Um caso de confusão de diagnóstico : por Robert D. Hare, Psychiatric Times, 13 (2), 1996.


Workshop sobre Psychopathy destaca necessidade de intervenção adequada : From Fórum de Pesquisa em correções , Vol. 2 (3), de 1990.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

A PRISÃO DE GUANTÁNAMO BRASILEIRA PARA PSICOPATAS



PESQUISA DO DR. ADRIAN RAINE, PhD, CHEFE DO DEPARTAMENTO DE CRIMINOLOGIA DO DA UNIVERSIDADE DA PENSILVÂNIA, NOS ESTADO UNIDOS, MOSTRA A TOMOGRAFIA DO CÉREBRO DE UM INDIVÍDUO NORMAL (À ESQUERDA) COMPARADA COM A DE UM ASSASSINO (À DIREITA), QUE APRESENTA BAIXA ATIVIDADE METABÓLICA NO CÓRTEX PRÉ-FRONTAL PELA AUSÊNCIA DE PONTOS VERMELHOS E AMARELOS.

VEJAMOS ALGUNS CASOS DE GRANDE REPERCUSÃO NO BRASIL E O REMÉDIO APLICADO PELA JUSTIÇA BRASILEIRA EM ALGUNS CASOS. Matéria completa disponível no endereço eletrônico http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-56/questoes-juridico-psiquiatricas/os-que-morrem-os-que-vivem


Champinha fez 17 anos 34 dias depois de matar Liana. Nas vésperas de chegar ao limite de internação, em 2006, quando seria libertado, dois fatos se sucederam. Primeiro, houve os julgamentos de seus quatro comparsas, condenados a penas pesadas. Depois, ele fugiu da Febem, sendo recapturado no mesmo dia.

Nos programas sensacionalistas do rádio e da televisão, nas colunas e seções de cartas dos jornais, em todos os lugares se atacava a lei que colocaria o estuprador e assassino em liberdade. Dava-se aquilo que magistrados costumam chamar de “clamor popular”.

Wilson Ricardo Coelho Tafner, promotor do Departamento de Execução da Infância e Juventude, imaginou uma saída legal. Baseado em um dos laudos de avaliação psiquiátrica de Champinha, ele pediu a suspensão do prazo de internação e aplicou uma medida protetiva de tratamento psiquiátrico, com contenção. Na sequência, pediu a interdição cível. Pronto, o caso estava resolvido: o assassino virava doente mental e, na prática, continuaria preso. Bastava achar uma instituição onde pudesse ser “tratado”.

Como tal instituição não existia, o imbróglio continuou. Até o secretário de Saúde da época, Luiz Roberto Barradas Barata, foi obrigado a andar com um habeas corpus no bolso: havia uma ordem de prisão emitida contra si mesmo por não destinar Champinha a uma instituição psiquiátrica onde pudesse ser internado à força.

Foi nesse contexto que nasceu a Unidade Experimental de Saúde, a ues, onde Champinha está até hoje. A Unidade é uma Guantánamo jurídico-psiquiátrica: ela existe num vácuo legal, é um arremedo que ninguém quer desativar.

A avaliação psiquiátrica que mantém o assassino preso estabeleceu que ele tem um transtorno orgânico de personalidade. É o termo “transtorno de personalidade” que abre a brecha legal para se manter uma pessoa afastada da sociedade: na prática, a expressão quer dizer que o transtornado tem baixíssima probabilidade de recuperação e, portanto, oferece risco para a sociedade.

Ocorre que outros laudos psiquiátricos desconsideraram totalmente a hipótese de que Champinha tenha transtorno de personalidade. Esses exames atestaram que Roberto Cardoso não é um doente. Ele é um limitado intelectual, de QI 73, sendo que a deficiência mental fica estabelecida no Brasil por um QI inferior a 70. Faltaria a Champinha refinamento intelectivo: ele consegue discernir o certo do errado, mas tem uma noção precária das consequências dos seus atos. É um homem extremamente influenciável, vulnerável e, dependendo do meio em que esteja inserido, uma fonte de problemas. Ele saberia, em resumo, o que não pode fazer, mas não o porquê.

Todos os laudos concordam que Champinha não age dominado pela fúria de um louco. Quando deu repetidas facadas em Liana, não teve prazer: queria acabar com o problema, se livrar da menina da qual abusara. Nos seus termos: “Se ela saía, a polícia pegava eu.” Ou seja, se Liana fosse libertada, ele seria preso. Para um de seus avaliadores, ele contou que deu “um monte de facada, mas ela morreu antes porque a primeira foi no pescoço”. O que pode parecer indício de frieza, característica dos psicopatas, seria, no caso de Champinha, um entendimento superficial dos próprios atos.

Quirino Cordeiro, um médico forte e baixo nascido em Garça, no interior paulista, é um estudioso de presos com problemas psiquiátricos. O tema do seu doutorado, defendido na Universidade de São Paulo, foi sobre as variantes genéticas ligadas à esquizofrenia. Hoje ele é perito forense, diretor do Centro de Atenção Integrada à Saúde Mental do Juquery, professor da Santa Casa e membro do Conselho Penitenciário. Com seu forte sotaque interiorano, Cordeiro explicou que o louco tem delírios, ou seja, vê coisas, ouve sons, sente-se possuído. Tem, em suma, uma experiência irreal da realidade. Doenças como esquizofrenia, transtorno bipolar ou quadros psicóticos, induzidos ou não por drogas, podem gerar esse deslocamento de realidade.

A loucura de Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, que por não ser reconhecido como Jesus Cristo assassinou o cartunista Glauco e seu filho Raoni, em março do ano passado, é um exemplo de delírio. Surtado, Sundfeld ainda roubou um carro e foi de São Paulo até Foz do Iguaçu, trocou tiros e feriu um dos policiais da fronteira na Ponte da Amizade, até ser preso. Quadros psicóticos como esse podem ou não ser revertidos por medicamentos e longos tratamentos.

No caso de Wellington Menezes de Oliveira, o autor da matança na escola de Realengo, no Rio, a perturbação mental é de outra natureza. Breno Montanari Ramos, psiquiatra forense com mais de trinta anos de experiência, acha que Wellington Oliveira é um caso clássico de transtorno de personalidade esquizoide: um doente solitário e ressentido que cria o seu mundo, e arquiteta uma vingança. Ele tem na sistematização de seus delírios uma forma de expurgar tensões internas e aliviar seu sofrimento mental. O isolamento completo de Wellington Oliveira, depois da morte da mãe adotiva, fez com que perdesse o contato com a realidade.

Ao conversar sobre as mortes em Realengo, Friedenbach se alterou. Era um final de tarde, a chuva antecipava a chegada da noite e alunas da Fundação Armando Álvares Penteado passavam, bem-vestidas e bem penteadas, em frente à sorveteria onde estávamos. “Eu sofri bullying”, ele disse, com a respiração acelerada, as sobrancelhas subitamente arqueadas, as palavras disparadas com rapidez. “Sempre fui o baixinho, o gordinho, o narigudo, o quatro-olhos. Mas não atirei em ninguém, não bati, nunca fui agressivo. Bullying, bullying, bullying, fico puto com essa história. O que temos que discutir é que há pessoas que não têm condições de conviver em sociedade.” Casos de violência mexem profundamente com o advogado.

Minutos antes, enquanto comia um biscoito, Friedenbach lembrara com deleite a época mais feliz de sua vida: quando tinha 20 anos e foi morar num kibutz em Israel. Trabalhava duro. Às seis da manhã já estava na plantação de abacaxis, onde ficava até as quatro da tarde. Depois, ajudava na oficina de tratores. Era voluntário para trabalhar durante o shabat, o dia de descanso. Fez amigos, namorou, estava realizado. Antes de voltar para o Brasil e continuar o curso de direito na Pontifícia Universidade Católica, passou três meses viajando pela Europa.

Sua experiência mais traumática, dor que ele pensava jamais voltar a sentir, foi a da perda do irmão mais velho, Ivo. Em abril de 1996, o coordenador de informática do Colégio Bandeirantes foi encontrado morto, aos 38 anos, em seu apartamento na Pompeia, intoxicado por um vazamento de gás. O golpe abalou toda a família. Friedenbach passou a chorar facilmente. Hoje tem os sentimentos à flor da pele.

Liana não virou um assunto proibido na família. Falam dela com naturalidade e afeto. O sentimento de perda bate quando Friedenbach vê as amigas da filha crescendo: “Aí lembro daquilo de que estou sendo privado.” Durante a campanha, houve quem o acusasse de usar Liana para se eleger. Sua resposta era dura, mas objetiva: “Uso, sim, para evitar que essa desgraça aconteça com os seus filhos.” Ainda nos primeiros dias de campanha, recebeu uma proposta de financiamento para trocar de legenda. A resposta foi mais ríspida: “Estou usando o nome da minha filha. Não faço concessões, não fico com o rabo preso, não entrei nisso para conseguir um emprego.” Ficou no PPS.

Friedenbach tem um expediente duplo. Às sete e meia já está na banca advocatícia, onde fica até as dez e meia, indo então para a Secretaria do Emprego e Relações do Trabalho, onde ocupa um cargo de confiança. Foi nomeado pelo secretário Davi Zaia, companheiro de partido.

Trabalha na coordenação de dois projetos, o Selo Paulista da Diversidade, que certifica empresas que praticam ações de não discriminação a todos os tipos de diferenças, e o programa Pró-Egresso, que procura qualificar e reinserir ex-presos no mercado de trabalho. Ajuda também nos assuntos de ordem jurídica, que envolvem a secretaria. Chega em casa sempre tarde da noite.

Se antes dizia que só concorreria a deputado federal, hoje acha que a experiência na administração pública é rica e ajuda a entender a máquina do Estado. Ano que vem, será candidato a vereador. Levantará as mesmas bandeiras, ainda que um vereador não possa fazer absolutamente nada pela mudança da lei sobre crimes de adolescentes. Está animado com a perspectiva de se eleger.

Roberto Cardoso está desanimado. Segue em tratamento na Unidade Experimental de Saúde e não sabe quando vai sair. Vive em uma das cinco casas dentro da UES. A sua, que divide com um menor de idade, é a única com uma tela isolando-a das demais. Foi colocada porque ele está duplamente jurado de morte no sistema prisional: por ser estuprador e também por ser considerado o responsável pela criação da UES.

Todos os presos ali – hoje são seis – se sentem injustiçados. Cometeram crimes ainda menores de idade, já são maiores e cumpriram todos os prazos da recuperação socioeducativa, mas não voltaram para a rua. Estão civilmente interditados. Saem de lá somente depois que um laudo atestar que sua periculosidade cessou e um juiz endossar tal avaliação. Como cometeram crimes hediondos ou violentos, e tiveram sua sanidade mental contestada, a perspectiva é de que apodreçam ali até silenciar o “clamor popular”.

Esse Guantánamo jurídico tem na raiz a questão da menoridade penal. José Geraldo Taborda, professor da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre, explica que, juridicamente, o Brasil passou por diversas idades criminais. Dos 14 anos previstos pelo Código Penal do Império, a idade penal passou para os 9 anos no primeiro Código da República. Depois, voltou para os 14 anos e só em 1940 é que surge a imputabilidade aos 18 anos.

Para o professor Taborda, o marco legal deveria ser os 14 anos – um pouco depois do início da puberdade. Nessa idade seria feito, caso a caso, um estudo que atestasse as reais condições de entendimento do menor infrator.

A ala contrária ao rebaixamento da idade penal alega, na substância, que diminuir a idade criminal é tirar o foco do verdadeiro problema: a falta de recursos dos adolescentes pobres. O promotor Wilson Tafner diz que 50% dos menores infratores estão detidos na Fundação Casa (antiga Febem), estão lá por crimes contra o patrimônio, 30% por tráfico de drogas, 7% por crimes contra a vida e o restante da conta é pulverizado. Cruzando esses dados com uma pesquisa do perfil dos internos, descobre-se que a grande maioria dos infratores é de jovens pobres das periferias que têm os maiores déficits de políticas públicas.

Em síntese: a baixa escolaridade, o desemprego, a remuneração baixa, as famílias miseráveis e a falta de perspectivas empurram as crianças para o crime. “Os Champinhas, os assassinos, são minoria”, disse Tafner. Ele tem razão. Mas os Champinhas existem.

Os nove internos que passaram pela Unidade Experimental de Saúde onde está Champinha chegaram lá por causa dos crimes graves que cometeram na adolescência. Lá, se depararam com condições únicas nas prisões brasileiras: salas de terapia ocupacional, de computação, vídeo, musculação e área verde. Dispõem de tal estrutura porque não estão em uma cadeia, e sim sob a égide da Secretaria Estadual de Saúde.

“Eu não conjugo o verbo perdão: quem perdoa é Deus, e espero que ele encontre Champinha o mais rápido possível para ser perdoado”, a frase incisiva saiu da boca de Ari Friedenbach, ao vivo, durante um programa policial popular. A expressão no rosto não deixava dúvidas sobre sua sinceridade. Falava da possível saída do assassino de sua filha da prisão. Ele espera que Champinha morra logo.

Durante os onze meses do luto judaico, Friedenbach ia sozinho ao quarto da filha para rezar. Passou a tomar antidepressivos e voltou à terapia, que faz até hoje. Em 2008, decidiu parar com os remédios, pois sentia que eles o amorteciam. Hoje está mais vulnerável às emoções e não se importa em chorar. Diz que se controla durante as entrevistas, para não parecer piegas nem marqueteiro.

Outro advogado formado pela universidade católica prestou atenção no caso de Champinha desde o início. Daniel Adolpho Assis, de 30 anos, trabalha no Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente, o Cedeca, de Interlagos. Em maio de 2007, quando Champinha fugiu, achou que era hora de agir. Anotou que mais de 23 meios de comunicação, entre emissoras de tevê, jornais, revistas e sites, expuseram o nome, o rosto e os detalhes do processo, o que é proibido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.

O Cedeca costuma atuar em casos de grande repercussão, para promover o debate de questões básicas e difíceis. Achou no de Champinha, além dos excessos da imprensa, a oportunidade de se discutir o uso da psiquiatria contra os adolescentes infratores. Para tanto, Daniel Assis virou advogado de Champinha.

Advogando gratuitamente, Assis vai duas vezes por mês visitar o cliente. Fica cerca de duas horas e meia com ele, conversando sobre o andamento do processo, discutindo possíveis ações, transmitindo recados de parentes e escutando reclamações. No último aniversário de Champinha, levou-lhe de presente um quebra-cabeça de 500 peças que forma um mapa das Américas Central e do Sul. Com ele, mostrou o estatuto jurídico de adolescentes em vários países. O preso gostou tanto que o advogado comprou-lhe outro: um de mil peças, em formato tridimensional.

Daniel Assis fica incomodado de ter que ouvir sempre a mesma pergunta do cliente: “E aí, este ano vai?” O advogado permanece em silêncio. “Então, mais dois ou três anos eu saio?” Silêncio. “Roberto sonha em voltar para o mato”, disse Assis. Ari Friedenbach sonha em reformar as leis sobre a minoridade penal. Felipe Caffé sonhava em cursar direito e virar delegado federal. Liana sonhava em passar um ano em um kibutz em Israel.