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domingo, 24 de julho de 2011

ANDERS BEHRING BREIVIK - O ASSASSINO DE OSLO




Antes de executar 92 pessoas em Oslo, o assassino norueguês Anders Behring Breivik - que confessou ter planejado o massacre à polícia norueguesa na tarde deste sábado - enviou a todos os seus contatos na rede social Facebook (cerca de 7 000) uma mensagem contendo um vídeo e um manifesto de 1500 páginas. Segundo o jornal Afterposten, policiais que acompanharam o depoimento de Breivik confirmam se tratar de um texto de autoria do assassino. Fotos e um vídeo acompavam o documento.

O documento é um compêndio caudaloso de reflexões políticas, filosóficas, religiosas e sociológicas, um diário do período em que os atentados foram planejados e ainda uma fonte de informações sobre a vida privada de Breivik, que emerge das páginas como um jovem perturbado e tomado por delírios de grandeza.

"Sempre levarei comigo a certeza de ser um campeão do conservadorismo cultural, talvez o maior da Europa desde 1950", diz o atirador a certa altura. "Sou um dos muitos destruidores do marxismo e, assim, um herói da Europa, salvador de nosso povo e da cristandade. Um exemplo perfeito que deveria ser copiado, aplaudido e celebrado. Saberei que fiz tudo para deter o genocídio cultural e demográfico dos europeus e reverter a islamisação da Europa."

Templários - Breivik, não assina o documento com seu próprio nome, mas com uma versão anglicizada dele, Andrew Berwick. Ele afirma fazer parte de uma organização secreta que se espelha na dos antigos cavaleiros medievais, voltada a proteger os cristãos que faziam a peregrinação a Jerusalém. Esses novos templários almejariam formar "o principal movimento revolucionário conservador da Europa Ocidental".

Uma extensa seção no final do manifesto de Breivik, batizada de "Diário de um Cavaleiro Templário", explica por que ele se filiou à tal ordem secreta (supostamente numa viagem à Inglaterra) depois de desligar-se do Partido Progressista norueguês, no qual militou por 10 anos: "Perdi a fé na luta democrática para salvar a Europa da islamização". Mas esse segmento da volumosa "Declaração" de Breivik é, antes de mais nada, um relato detalhado de todo o planejamento dos atentados que o levaram a matar 92 pessoas.

Breivik conta como criou um esconderijo na floresta para armazenar produtos químicos e fazer testes de fabricação de explosivos. Relata viagens para tentar adquirir armamentos. Explica como financiou a compra de todos os equipamentos para os atentados (ele afirma ter gasto exatos 310 000 euros de suas próprias economias). Registra seus esforços para escapar do radar das autoridades. E antecipa o momento da chacina: "Tudo acontecerá em meio à ação de esteroides e efedrina, que aumentarão minha agressividade, desempenho físico e foco mental em até 60% - ou possivelmente 100%. Além disso, colocarei meu iPod no volume máximo para afastar o medo, se necessário".

Breivik dá a entender que seu plano incluia quatro fases - as duas últimas, aparentemente, não puderam ser realizadas.

Matéria completa disponível em: http://veja.abril.com.br/noticia/internacional/assassino-de-oslo-deixou-manifesto-de-1500-paginas-em-que-se-ve-como-martir