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domingo, 15 de maio de 2011

PSICOPATA NO BANCO DOS RÉUS DO BRASIL


O caminho dos antissociais pelos sistemas jurídico e carcerário é um ciclo sem fim de reincidência
por Texto Eduardo Szklarz
Passo-a-passo de um criminoso

1. A PREPARAÇÃO
Organizado, o psicopata prepara minuciosamente sua ação e só a comete quando e onde julga ideal. É impulsivo, mas não passional. Consegue administrar a tensão e o estresse, canalizando-os para a hora do crime.


2. O CRIME
Em geral, procura humilhar, subjugar e causar dor. O tipo de crime depende do grau de psicopatia. Muitos cometem fraudes e estelionatos. Já outros optam pela violência - homicídios, estupros, sequestros e torturas.


3. AS PROVAS
Após cometer o crime, tenta eliminar as provas de todo jeito. Muitos homicidas seriais esquartejam as vítimas para dar sumiço no corpo.


4. CAPTURA
Quando pego, ele nega categoricamente o crime. Ou começa a fingir: faz-se de louco, simula múltiplas personalidades. No processo, procura manipular todos, inclusive seu advogado e peritos. Tenta convencer o promotor, o juiz e a família das vítimas de sua inocência ou insanidade.


5. O JULGAMENTO
Em geral, o psicopata pode seguir dois caminhos na Justiça brasileira. O juiz pode declará-lo imputável (tem plena consciência de seus atos e é punível como criminoso comum) ou semi-imputável (não consegue controlar seus atos, embora tenha consciência deles). Nesse segundo caso, o juiz pode reduzir de um a dois terços sua pena ou enviá-lo para um hospital de custódia, se considerar que tem tratamento.


6. O PROBLEMA LEGAL
Muitos promotores brasileiros evitam a semi-imputabilidade, pois pode reduzir a pena. Além disso, quem vai para hospital de custódia em geral são criminosos diagnosticados com doença mental tratável, o que não é o caso da psicopatia.


7. A PRISÃO
Como não há prisão especial para psicopata no Brasil, ele fica com os criminosos comuns. Por saber que a pena poderá ser reduzida caso se comporte bem, se passa por preso-modelo. Mas, por baixo dos panos, ameaça os outros presos, lidera rebeliões. Prejudica a reabilitação dos presos comuns, que passam a agir cruelmente para sobreviver.


8. DE VOLTA À SOCIEDADE
Mesmo décadas de prisão não bastam para "re-educar" o psicopata. Ele não se arrepende nem sente remorso. Uma vez soltos, 70% deles voltam a cometer crimes. A única coisa que ele aprende é evitar os erros que o levaram à prisão. Da próxima vez, agirá com ainda mais cuidado.


O QUE FAZER?
A semi-imputabilidade é uma baita encrenca no Brasil, onde não existe prisão especial para psicopatas (como é o caso do Canadá). Colocá-los em presídios comuns prejudica a reabilitação dos outros presos - 80% da população carcerária. E misturá-los com loucos em hospitais não faz sentido - a não ser que tenha também uma doença mental tratável. Portanto, para especialistas, o ideal seria julgar os psicopatas como semi-imputáveis e prendê-los em cadeias especiais. Lá, seriam acompanhados por profissionais especializados que determinariam sua possibilidade de sair e voltar à sociedade.

Fontes: Hilda Morana, doutora em psiquiatria forense pela USP e presidenta do Departamento de Psiquiatria Forense da Associação Brasileira de Psiquiatria; Hugo Marietan, professor de psiquiatria na Universidade de Buenos Aires.

terça-feira, 27 de julho de 2010

AS DEFICIÊNCIAS DO SISTEMA DE JUSTIÇA CRIMINAL BRASILEIRO

São impressionantes as falhas do Sistema de Justiça Criminal brasileiro no trato como pessoas portadoras de transtornos de personalidade, mais precisamente os psicopatas. O Sistema de Justiça Criminal brasileiro possui muitas dificuldades em lidar com delinqüentes portadores de psicopatia. Já é sabido por toda comunidade internacional de cientistas que não existe cura e tão pouco remédios para os portadores da síndrome de psicopatia. As entidades internacionais recomendam que os laudos (constatação) devem ser elaborados por uma duas bancas independentes de peritos como uma boa formação na área de saúde pública (Mestrado ou Doutorado), pois uma vez que a pessoa seja diagnosticada como portadora desse transtorno ela vai requerer cuidados por toda sua vida, seja por parte da família ou pelo poder público. Portanto, é chegado o momento das autoridades abrirem os olhos para esse problema que traz tanta dor e perplexidade para toda sociedade brasileira. Não podemos mais tolerar que pessoas que tenham cometido crimes atrozes (serial killers) sejam presas, e após ter passado certo tempo, são colocados em liberdade por força de um laudo sem critério cientifico elaborado por um profissional (perito) que muitas vezes possui uma formação duvidosa. Um laudo feito de forma displicente e sem critério de cientificidade pode trazer conseqüências desastrosas para muitas pessoas com prejuízos financeiros e psíquicos inimagináveis. Também é muito difícil observarmos algum perito fazendo uso da PCL-R. Ela é uma lista criteriosa de verificação de psicopatas criada pelo psicólogo canadense Robert D. Hare, e que já vem sendo usada com bastante sucesso no Canadá, EUA e Europa. Vejam no vídeo abaixo um caso acontecido recentemente e documentado pelo Programa Fantástico da Rede Globo e que reflete a dura realidade do Sistema de Justiça Criminal brasileiro na lide com psicopatas.